segunda-feira, 4 de abril de 2011
Realidade
Ataco de fenomenólogo,vou filosofar sobre o mundo sensível e pretendo ser metafísico,ser existencial,ser materialista,ser contraditório,quero que não exista método na minha filosofia,me ajude São Nietzsche!Me empreste sua lucidez maluca ó grande Louco de Turim! Me ensina a viver como super-homem, me auxilie,quero ser o Anti-Cristo, quero as palavras faladas pelo velho Zaratustra! Homem,quem és tú? Vida me decifra ou te devoro!Miséria nossa,leitores de Caras me ensinem a carregar esse fardo que se estende do despertar ao deitar, só os sonhos nos livram dos grilhões,mais uma vez Friedrich te invoco,você que enlouqueceu devido a tanta sanidade,que sifilis que nada! O mundo real é real ou é delirio? Os amores existem? Os intímos irmãos que nos abandonam a nossa própria sorte existem? O ar existe? Por que estou condenado a este tempo?Por que sou eu e não outro?Por que vivo aqui e não numa cidade grega do período clássico?Por que sou isso e não um monje medieval? Um corsário praticando pilhagens a serviço de nossa Majestade?Insuportável realidade que destrói,que pilha,vida a qual obedecemos de olhos fechados? Enfrentar isso,de que jeito? Obedecer a quem? A Deus? Mas como obedecer a um criador invisível uma vez que não acredito nem mesmo na minha própria existência?Heidegger,Sarte,sejam mais claros,Heidegger perfeito porém nazista,Sartre perfeito porém stalinista, culpados pelo erro,senhores de suas vidas,escravos das ideologias fomentadas por mentes inferiores,escravos sem querer,viva Camus! Morreu existencial e jovem proibido assim de se contradizer,coerência senhora das mentes medíocres! Fujo então para A Sombra de Heidegger de Jose Pablo Feinmann e descubro,a última esperança é a arte,só ela pode nos dar uma segunda chance de realidade,só ela nos tira do mundo por efemeros instantes,belíssimo romance de filosofia,filosofia de romance.
Amanhã vai chover em São Paulo.
domingo, 3 de abril de 2011
Roth.
Não é exagero afirmar que O Animal Agonizante (Cia.das Letras)de Philip Roth é um dos melhores romances de todos os tempos,com cerca de cento e vinte páginas poderia ser chamado de novela porém a grandeza do livro não pode ser medida pelo seu volume,leiam imediatamente e me darão razão.
David Kapesh é um professor sessentão, aposentado que apresenta um pouco visto programa sobre arte na TV além de ministrar cursos esporádicos,ao final de cada curso Kapesh organiza uma festa para os alunos em seu apartamento e obrigatoriamente leva uma delas para cama,até conhecer Consuelo uma descendente de cubanos por quem se apaixona perdidamente e numa entrevista com alguém desconhecido expõe sua amarga visão sobre a vida e a morte.O romance é tão profundo que muitas vezes parece que estamos diante de algo da grandeza de Sheakespeare, imaginem um Complexo de Portnoy (o primeiro grande livro de Roth,também narrado em forma de confissão) trinta anos mais maduro e você terá uma vaga idéia do que é O Animal Agonizante.Roth,na breve confisão do pervertido professor trata dos mais importantes aspectos da vida humana tais como paternidade,amizade,politica (a situação cubana) e sobretudo sobre o amor e a morte,é inesquecível uma das frases do livro que diz que, ao contrário do que é popularmente dito,o amor não completa ninguém,somos completos antes do amor e depois dele nada mais do que fragmentos de algo inexplicável,o amor é a única obsessão a qual buscamos por vontade própria, sim uma visão extremamente amarga,mas ao final Roth nos da uma piscadela,talvez as coisas não sejam tão ruins assim e somente Eros pode,pelo menos,nos aliviar da carga de Tânatos.
David Kapesh é um professor sessentão, aposentado que apresenta um pouco visto programa sobre arte na TV além de ministrar cursos esporádicos,ao final de cada curso Kapesh organiza uma festa para os alunos em seu apartamento e obrigatoriamente leva uma delas para cama,até conhecer Consuelo uma descendente de cubanos por quem se apaixona perdidamente e numa entrevista com alguém desconhecido expõe sua amarga visão sobre a vida e a morte.O romance é tão profundo que muitas vezes parece que estamos diante de algo da grandeza de Sheakespeare, imaginem um Complexo de Portnoy (o primeiro grande livro de Roth,também narrado em forma de confissão) trinta anos mais maduro e você terá uma vaga idéia do que é O Animal Agonizante.Roth,na breve confisão do pervertido professor trata dos mais importantes aspectos da vida humana tais como paternidade,amizade,politica (a situação cubana) e sobretudo sobre o amor e a morte,é inesquecível uma das frases do livro que diz que, ao contrário do que é popularmente dito,o amor não completa ninguém,somos completos antes do amor e depois dele nada mais do que fragmentos de algo inexplicável,o amor é a única obsessão a qual buscamos por vontade própria, sim uma visão extremamente amarga,mas ao final Roth nos da uma piscadela,talvez as coisas não sejam tão ruins assim e somente Eros pode,pelo menos,nos aliviar da carga de Tânatos.
Reflexões com Mr. Bob Dylan
Nada mais frutífero do ponto de vista filosófico do que o porre solitário. Nada mais lindo do que se embebedar sozinho,apenas observando com atenção,olhando com carinho os outros e suas ridículas discrepâncias e principalmente descobrindo os nossos próprios podres enterrados no peito como sapos de macumba.
Pois bem, estava lá no balcão transcendental,local de tantas galhofas,tantos risos,tantas glórias e derrotas,tanta fraternidade íntima,estava lá sozinho,meus únicos companheiros eram uma dupla de senhores escoceses chamados Justerine & Brooks afogados em cúbicos icebergs, ouvi Bob Dylan cantando espectralmente,profeticamente,como se dirigindo particularmente a minha profunda solidão:
" How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?"
Passei então a fazer um exame minucioso de minha vida,desde a minha tenra infância escolar onde comecei a sentir na pele a frase do Huis-Clos sartreano sobre a identidade do inferno e só surgia a pergunta "Qual a minha importância no grande esquema das coisas?" e pude,num lampejo de lucidez que só pode ser alcançado após a comunhão alcoólica responder,nenhuma, é essa nossa importância,nenhuma,nada temos,só ilusões.Somos como drogados em busca de mais uma pedra de crack,precisamos de ilusões para sairmos de nossas carcaças que envelhecem,corpos em decadência jogados sem misericórdia num mundo que não foi escolhido,num mundo pronto,num mundo com seus deuses e pecadores,num mundo com suas verdades e mentiras.Somos todos alcólatras em busca de mais uma dose,ela pode ser uma promoção para os carreiristas,um Ipad para os idiotas tecnológicos,um livro para um pretenso intelectual,uma viagem para aqueles que não se contentam com o mesmo chão sob os pés,um ato altruísta para os que possuem complexo de Madre Teresa,um estudo sério para um CDF,um Audi A8 para um ostentador,um amor para um sentimentalóide patético.Será possível viver sem ilusões? Sem drogas?Sem artificíos? Infelizmente não,nossa maldição é essa,buscar sempre e sempre não conseguir.Perseguimos um animal invisível,tentamos agarrá-lo pelo rabo até que chega a morte e põe um ponto final em tudo, como se toda essa briga se tratasse de uma brincadeira,de uma piada sem sentido.
Bob Dylan volta para me dar mais um toque,sim,o grande Jokerman é a nossa vida.
Pois bem, estava lá no balcão transcendental,local de tantas galhofas,tantos risos,tantas glórias e derrotas,tanta fraternidade íntima,estava lá sozinho,meus únicos companheiros eram uma dupla de senhores escoceses chamados Justerine & Brooks afogados em cúbicos icebergs, ouvi Bob Dylan cantando espectralmente,profeticamente,como se dirigindo particularmente a minha profunda solidão:
" How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?"
Passei então a fazer um exame minucioso de minha vida,desde a minha tenra infância escolar onde comecei a sentir na pele a frase do Huis-Clos sartreano sobre a identidade do inferno e só surgia a pergunta "Qual a minha importância no grande esquema das coisas?" e pude,num lampejo de lucidez que só pode ser alcançado após a comunhão alcoólica responder,nenhuma, é essa nossa importância,nenhuma,nada temos,só ilusões.Somos como drogados em busca de mais uma pedra de crack,precisamos de ilusões para sairmos de nossas carcaças que envelhecem,corpos em decadência jogados sem misericórdia num mundo que não foi escolhido,num mundo pronto,num mundo com seus deuses e pecadores,num mundo com suas verdades e mentiras.Somos todos alcólatras em busca de mais uma dose,ela pode ser uma promoção para os carreiristas,um Ipad para os idiotas tecnológicos,um livro para um pretenso intelectual,uma viagem para aqueles que não se contentam com o mesmo chão sob os pés,um ato altruísta para os que possuem complexo de Madre Teresa,um estudo sério para um CDF,um Audi A8 para um ostentador,um amor para um sentimentalóide patético.Será possível viver sem ilusões? Sem drogas?Sem artificíos? Infelizmente não,nossa maldição é essa,buscar sempre e sempre não conseguir.Perseguimos um animal invisível,tentamos agarrá-lo pelo rabo até que chega a morte e põe um ponto final em tudo, como se toda essa briga se tratasse de uma brincadeira,de uma piada sem sentido.
Bob Dylan volta para me dar mais um toque,sim,o grande Jokerman é a nossa vida.
You must remember this...
Casablanca recebeu o prêmio de melhor roteiro cinematográfico de todos os tempos pelo Writers Guild of America, na verdade é um roteiro adaptado de uma peça chamada "Everybody Comes to Rickys" de Murray Burnett e Joan Alison. O filme mostra a estória de Rick(Bogart) um cinico proprietário de bar que reencontra um velho amor,o cenário é Casablanca,governada pelos nazistas na efervescência da Segunda Guerra. O que faz dessa estória,tão comum, a melhor de todos os tempos,na frente de obras como Cidadão Kane e Dr.Fantástico? Simples,é um conto de amor, é uma história sobre o magnetismo invisível,sobre os bálsamos etéreos que unem duas almas,sobre o destino que parece conspirar para que mesmo os encontros amorosos mais desastrados perdurem eternamente,destino esse que insiste em manter uma corrente imortal,um vínculo atemporal entre dois seres,é sobretudo um filme sobre a música do amor que ouvimos quando estamos apaixonados,imersos na sensação bittersweet da necessidade do outro, o amor é uma espécie de altruísmo,o amor é um momento de transcendência em que o nosso "eu" ja não é mais suficiente,temos que transcender no outro,viramos uma simbiose ambulante de sacrificio,dor e alegria,nos tornamos embriagados de vida e quando tudo isso se vai só temos o luto.O final de Casablanca é de conhecimento público,Rick abre mão de Ilsa num gesto do mais puro altruísmo,deixando sua paixão livre Rick faz com que o amor entre os dois se torne imortal,não existe mais julgo ali,Ilsa esta livre,porém eternamente ligada a aquele homem cinico,a aquele homem o qual conseguiu penetrar o coração,woman needs man and man must have his mate,that no one can deny
sábado, 2 de abril de 2011
O Poder do Mito
oseph Campbell é um exemplo único de intelectual,acadêmico e pop-star. Sua simpatia esportiva destoava totalmente dos estereótipos de scholars, Campbell lembra um tira novaiorquino de ascendência irlandesa, um bom tira,com o rosto sempre iluminado por um sorriso de bebe.É essa figura que resplandece na série "O Poder do Mito" lançada pelo selo da TV Cultura. Trata-se de uma longa entrevista concedida pouco antes da morte de Campbell ao competente jornalista Bill Moyers,nela o acadêmico esclarece o que são os mitos,qual o papel por eles desempenhados na história da humanidade e na nossa vida espiritual,qual é a ajuda proporcionada por essas figuras na condução de nossas existências,tudo é explicado de forma cristalina e até o mais materialista dos espectadores poderá entender a obra desse incomparável e insubstituível mitólogo, não é uma discussão sobre fanatismo e carolice,é uma conversa sobre o entendimento,sobre o inconsciente coletivo e suas implicações nas ações humanas.suas implicações na construção da cultura e na construção da arte pois segundo Joseph Campbell são os artistas os grandes comunicadores,a ponte de ligação entre o mundo divino inconsciente e a vida cotidiana.Vale por mil sessões de psicanálise.
Um estranho no ninho
Jack Nicholson,por ele já basta,mas tem muito mais.Muito mesmo. Revi ontem o filme O Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoos Nest) de Milos Forman por acaso,o DVD veio por engano na caixa de outro filme e para mim aquilo foi o céu. Contracultura questionadora de nossas vidas medíocres, chega num manicômio Jack,malandrão gente-boa que cai ali se fingindo de louco para fugir do trabalho braçal pesado de uma colonia penal, gênio boêmio total passa a questionar os motivos existentes no tratamento dispensado aos internos,violência institucional demente e castradora que ao invés de melhorar piora a cabeça dos caboclos, Jack então incomoda a diretoria do cafofo e acaba se dando mal.Jesus Cristo do microcosmo dos desajustados,messias da mudança que faz acreditar na montanha interna nossa, senhor do inconformismo que nos falta.Iconoclastia pura para a salvação dos escravos, nós escravos de ocupações imbecis sem questionamento, nós que não acreditamos em nossas montanhas.
Melhor a cada ano,melhor a cada dia.
Melhor a cada ano,melhor a cada dia.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Nunca houve mulher como Barbarella
Jane como você era gostosa, meu Deus e Deus criou a mulher velho Roger Vadim e você catou a Jane e a transformou em Barbarella, e você pegou a filha do Sr.Henry Fonda e transformou em Senhora Vadim, francês safado que só pensava em triângulo, do time do Truffaut e não do Godard.
Barbarella é o filme mais erótico e tesudo dos anos sessenta, Jane Fonda com aquelas coxas grossas e vestida naqueles nylons e latex fetiches, tão coberta e tão pelada ao mesmo tempo, louca para dar como mulher e gozar como cadela no cio e não como manequim futurista (cuidado mulheres anoréxicas que dispensam o arroz com feijão, jájá a bacurinha seca e a previsão se concretiza!), Barbarella que leva a máquina que matava as mulheres de tesão a tilt, Barbarella que faz anjos desiludidos voltarem a voar! Ahhh nunca mais existirão mulheres como tú, ó Barbarella! E que saudade de ti ó saudável e irresponsável sacana vadio Vadim!
Barbarella é o filme mais erótico e tesudo dos anos sessenta, Jane Fonda com aquelas coxas grossas e vestida naqueles nylons e latex fetiches, tão coberta e tão pelada ao mesmo tempo, louca para dar como mulher e gozar como cadela no cio e não como manequim futurista (cuidado mulheres anoréxicas que dispensam o arroz com feijão, jájá a bacurinha seca e a previsão se concretiza!), Barbarella que leva a máquina que matava as mulheres de tesão a tilt, Barbarella que faz anjos desiludidos voltarem a voar! Ahhh nunca mais existirão mulheres como tú, ó Barbarella! E que saudade de ti ó saudável e irresponsável sacana vadio Vadim!
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